Obras
de Frans Krajcberg:As
últimas transformações dos séculos XX e XXI assinalam o protagonismo do sistema
capitalista mundial nas agressões ao meio ambiente. Transformações essas que não
debilitaram a essência do modo de produção humana, porém, nota-se que os
efeitos são observados na organização da sociedade contemporânea, nos métodos
de produção, na política financeira dos governos, nas relações de trabalho, e
principalmente nas relações da sociedade com a sustentabilidade, haja vista que
a arte é fundamentada na liberdade humana.
O
pintor e escultor de origem polonesa Frans Krajcberg lutou de forma permanente,
demonstrando ter a consciência que o homem deve manter entre si uma relação
bastante intensa com esse mundo. Assim, o artista busca estar permanentemente
sujeito a novas leituras, e que o processo de integração de uma poética se dá
lentamente, dependendo de códigos preestabelecidos. Suas obras artísticas
reúnem desenhos, pinturas, esculturas, que apresenta um artista, livre e
independente dos critérios de prestígio que, na ordem do simbólico, que regem o
meio artístico e cultural.
A
história de vida e o processo de criação artística de Frans Krajcberg possuía uma
ligação estreita com a área da educação por ter sido um artista que atuou em
prol da preservação da natureza. O jornalista Antonio Gonçalves Filho dedicou
uma matéria em torno de seu falecimento em 15 de novembro de 2017, no Rio de
Janeiro, aos 96 anos .
O
artista usava em suas obras ‘troncos e raízes’ de árvores calcinadas, lutando
desde 1948 contra a destruição de florestas ao chegar no Brasil. As
primeiras esculturas em madeira de Frans Krajcberg foram feitas em 1964, pois visitava
frequentemente Pantanal e a Amazônia para registrar o desmatamento e recolher
troncos e raízes para suas esculturas, associando o resgate desses restos de
natureza à proposta dos ‘novos realistas’, dando um novo sentido aos materiais
descartados pela sociedade.
Imagem 01: Obra Grito da Natureza:

CHIAPETTA, Marina Santos. Frans Krajcberg: conheça as obras e o ativismo ambiental do artista. Site eCycle. Sem data de publicação, in site.
Contextualizando
a obra com o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, pode-se afirmar que os
homens utilizavam sons para pedir socorro no perigo ou ao aliviar-se de dores
violentas, e de forma semelhante à obra o grito, de Frans Krajcberg, produziu
essa linguagem primitiva, na medida em que denunciou a violência do homem
contra a natureza e expunha a dor das florestas devastadas.
Imagem 02: Obra Socorro da Amazônia:
Fonte:
Adaptado segundo a autora Marina SantosChiapetta.
Nesta
obra o artista retrata os troncos e raízes calcinadas que derrubaram densas
áreas verdes pelos incêndios para transformá-las em pasto, os quais Frans
Krajcberg recolhia o que o fogo deixou, transformando os materiais para que se
gritassem socorro em nome da Amazônia. O artista procurou exprimir, com esse
material quebrado, o assassinado, do que ontem foi uma bela árvore, e hoje é um
pau queimado.
Obras
de Jaime Prades:
O
artista Jaime Prades nasceu na Espanha, mas vive e trabalha em São Paulo desde
1975, e é detentor de uma trajetória única dentro do panorama da arte
contemporânea brasileira com obras bastante impactantes. Com sua experimentação
como atitude criativa, sempre procurou diversificar seus meios de expressão
além da pintura. Desde a década de 80 seus projetos ultrapassavam as fronteiras
da modernidade e suas inquietações apontavam novos horizontes, sendo sua obra
fruto de uma necessidade vital, acima de questões teóricas e das tendências do mercado.
Seu
trabalho construiu uma obra que dialoga com as questões sociais, ambientais,
espirituais e plásticas, por meio da pesquisa dos processos específicos da
materialização da linguagem e a renovação dos suportes tradicionais. A arte
de rua no Brasil surgiu nos anos 70, se mantendo na marginalidade, contudo, as
legislações municipais combatem a arte do grafite, considerando a chamada ‘street-art’ de natureza transgressora e
de essência desafiadora à ordem estabelecida. Mas Jaime sempre transitava entre
o ateliê e a rua.
O
jornalista José Roberto Aguilar teceu alguns comentários críticos sobre seu
trabalho:
Jaime Prades não se considera grafiteiro nem artista de
rua; sua ação como artista é muito mais abrangente. Contudo, a força de seus
grandes murais, pintados sobre concreto em espaços de grande visibilidade
urbana, revelou Jaime Prades para o grande público. ‘As Máquinas’, imenso mural
que ocupou durante anos uma das paredes do túnel da Avenida Paulista, causaram
tamanho impacto que prevaleceram sobre outros trabalhos; consequentemente,
Jaime Prades ficou reconhecido como artista de rua, vinculado ao mundo do
grafite .
Imagem
03: Obra Série Máquinas - A gráfica urbana:
Fonte: Adaptado segundo
o blog do artista Jaime Prades .
A série ‘Máquinas’ foi grafitada diretamente nos
muros dos túneis de São Paulo, em 1987, mostrando o interesse urbano na
industrialização com efeitos poluentes ao ambiente.
Imagem
04: Obra À deriva 01:
Fonte: Adaptado segundo
o blog do artista Jaime Prades .
Nesta obra o artista
retratou o consumo excessivo dos plásticos, que são dispensados na natureza, os
quais demoram muitos anos para sua decomposição, e que acabam sendo engolidos
por animais marinhos, por serem confundidos com seus alimentos naturais,
tentando realizar, nessa obra a conscientização do reuso dos bens naturais, bem
como o descarte correto desses materiais.
Obras
de Eduardo Srur:
O
artista plástico Eduardo Srur é um ativista brasileiro, nascido em São Paulo,
onde vive e trabalha, sendo detentor de alguns trabalhos de pintura já
registrados, mas foi na área da intervenção urbana que seu nome se fortaleceu
no mercado, por meio de iniciativas questionadoras. Estudou na Faculdade de
Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), nos anos 90, onde
teve aulas com o artista Nelson Leirner e o fotógrafo Eduardo Brandão.
No
início dos anos 2000 começa a pesquisa e o uso do espaço público para
desenvolver instalações com novos materiais e diferentes linguagens visuais,
abrindo caminho para a produção experimental das intervenções urbanas.
Imagem
05: Obra Caiaques do rio Pinheiros:
Fonte: Adaptado segundo o site
do artista Eduardo Srur .
Fortaleceu
sua vertente empreendedora em São Paulo e realizando diversas intervenções
urbanas de grande escala na paisagem da cidade, apropriando-se de pontes e
viadutos, rios poluídos e represas, parques públicos e terrenos baldios, como a
obra acima, onde instala dezenas de caiaques tripulados por manequins de
plástico nas poluídas águas do rio Pinheiros em 2006.
Imagem 06: Obra Caçambas
Fonte: Adaptado segundo
o site do artista Eduardo Srur .
A
obra ‘Caçambas’ é uma intervenção urbana do artista, a qual provoca uma
reflexão sobre o excesso de lixo produzido na cidade, resultado do modelo
irresponsável de produção e consumo de alimentos, onde o Brasil perde 60% dos
alimentos desde sua origem até a mesa do consumidor.
Obras
de Kathy Klein:
Kathy
Klein é nascida em 1965, Los Angeles, CA, e seu conceito de trabalho é de criar
as mandalas em lugares onde outras pessoas irão encontrá-las depois, como um
presente. A artista posiciona meticulosamente pétalas, flores, frutas e pinhas,
criando essas coloridas mandalas, enquanto senta, relaxa e entoa um mantra.
No
site da Redação Hypeness, a artista revela
que trabalha dentro de um processo espiritual para criar as mandalas,
utilizando um espaço de meditação devocional, orientando-se por meio de músicas
e sua paz interior. “frequentemente interrompo as obras para interagir com um
espírito transcendente” , diz a artista ao site.
Utiliza
as cores vibrantes e a colocação meticulosa de cada folha e de cada pétala, e depois
de criadas e fotografa as obras e as deixa exatamente no mesmo lugar, para que
alguém possa ter a sorte de apreciá-las.
Fonte: Adaptado segundo
o site da Redação Hypeness .
Mandala
é uma palavra sânscrita que significa círculo ou ‘aquilo que circunda um centro’.
É uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o Cosmos,
promove a harmonia e a unidade entre o todo e as partes. É uma forma de arte
original e essencialmente espiritual .
Obras
de James Brunt:
De
acordo com o site AtoEscrito.com, o
artista James Brunt se formou na Escola de Arte
Byam Shaw, em Londres, e depois passou a trabalhar em galerias e no Arts Development. Atualmente, mora em
Yorkshire e dirige a Responsible Fishing,
UK, junto com o fotógrafo Timm Cleasby .
Sua
organização artística opta por materiais naturais e reciclados na criação de
obras temporárias, procurando envolver adultos e crianças no processo de
criação, com projetos educacionais que exploram o lúdico e a importância do
jogo, conscientizam sobre questões ambientais, promovem a interação entre os
participantes e motivam as crianças a criar e alcançar em larga escala .
Seu
trabalho se dá com a utilização de pedras, folhas e galhos encontrados em
parques, praias e florestas, elaborando obras de arte de efêmera duração em
espaços externos e fotografa suas criações para conhecimento e apreciação das
pessoas. O artista afirma estar consciente do ambiente ao seu redor e lida com
critérios na utilização dos recursos naturais: não tira pedras do seu habitat;
nas florestas, as obras são feitas em caminhos já existentes; não faz trabalho
em água corrente; e não há sobrepeso com as cargas de instalações .
Imagem
08: Obra Mandala Círculos Concêntricos:
Fonte:
Adaptado segundo o site da AtoEscrito.com
.
James
Brunt cria elaboradas obras de arte usando matéria prima natural que ele
encontra em florestas, parques e praias perto de sua casa em. Esta forma de
arte terrestre envolve padrões detalhados, texturas e formas criadas usando
múltiplos de um tipo de material qualquer diferente entre si. O artista James
recolhe galhos, rochas e folhas e organiza-os em espirais de mandala e círculos
concêntricos, então fotografa seu trabalho acabado para documentá-lo antes que
a natureza mais uma vez se aposse de seu cabedal .
Obras
de Vick Muniz:
Vicente
José de Oliveira Muniz, apelidado de Vik Muniz, é um artista contemporâneo,
nascido em São Paulo no ano de 1961. Este artista ficou conhecido por usar
materiais inusitados em seus trabalhos, realizando experiências que questionam
as formas tradicionais de construção imagética, colocando a fotografia como
matriz, suporte intermediário e resultado final da obra, e, ainda, manifestando
novas estéticas com vínculos culturais e sociais, dando o entendimento do
artista sobre a função social da arte.
O
artista plástico brasileiro é fotógrafo, desenhista, pintor e gravador, graduado
em publicidade e propaganda. Passou a viver e trabalhar em Nova York no ano de 1983
e em 1988 passa a realizar uma série de trabalhos nas quais investiga temas
relativos à memória, à percepção e à representação de imagens do mundo das
artes e dos meios de comunicação.
Sua
criatividade em uso de diversas técnicas foi inusitada, materiais estes que vão
desde o açúcar, chocolate líquido, doce de leite, catchup, gel para cabelo, lixo e poeira, empregando-os em suas
obras artísticas.
Imagem 09: Série After Wahrol: Monalisa em creme de
amendoim e geleia:
Fonte: Adaptado segundo
o site Foto Grafia da autora SuelenFigueiredo .
Segundo
o autor Lago (2009, p.15):
Ao longo de duas décadas Vik Muniz criou quase 1200 obras,
organizadas sobre tudo em 57 séries, a maior parte delas fotografadas a partir
de matrizes realizadas com os mais diversos materiais. O artista faz uso de
técnicas diversas e emprega nas obras, materiais inusitados como, açúcar,
chocolate líquido, doce de leite, catchup,
gel de cabelo, lixo e poeira .
Envolvendo-se
cada vez mais com a arte de um modo bastante incomum, o artista passou a chamar
a atenção pelo fato de usar açúcar, chocolate, doce de leite, catchup, e até o próprio lixo, com temas
relativos à memória, percepção e reprodução de imagens. Sua primeira mostra se
deu em 1989, onde expôs algumas esculturas denominadas Relíquias (Objets Trouvés), e a Máquina de Café
Pré-colombiana.
Assim, seu reconhecimento
pela a originalidade de suas obras lhe garantiu críticas e o estabeleceu como
um dos criadores mais incensados da arte contemporânea, presente no acervo dos
principais museus do mundo, haja vista sua criativa forma de ressignificar
materiais, usando o que seria descartado como uma possibilidade artística.
Imagem 10: Série Crianças de Açúcar: Valentina (1996):
Fonte:
Adaptado segundo o site Esporos .
Imagem 11: Da série Lixo:
ESPOROS. Esporádico apenas. Vik Muniz. 2009, in site. E não poderia faltar o meu esperimento com a minha tecnica favorita, a Land Art. Essa e a primeira de muitas:
'Por onde passes
deixe teu melhor'
Gratidão e tudo que a arte me ensinou, e a tudo que Deus me proporciona!
*Foto, Arte e Pesquisa:
D.S.Alves/2019
Autora do Blog, Artista Visual, Gráfica, Amante da Natureza.