quinta-feira, 23 de maio de 2024

Porta Incenso feito com fundo de garrafas de conhaque


A Arte de Criar com Reaproveitamento

Amei fazer essas peças e quero compartilhar como foi o processo criativo.

Utilizei fundos de garrafas de conhaque para dar vida às mandalas. As partes superiores das garrafas foram aproveitadas para criar lustres, e os fundos ganharam uma nova utilidade com esta arte.

  1. Desenhando as mandalas

    • Com relevo dimensional Acrilex, desenhei as mandalas sobre o fundo da garrafa.
    • Para facilitar, tracei primeiro os desenhos com um marcador de ponta fina.
  2. Colorindo os detalhes

    • Após a secagem do relevo, usei um pincel fino nº 02 e tinta PVA Acrilex para colorir as mandalas.
  3. Base em formato de pirâmide

    • Fiz uma base em formato de cone (estilo pirâmide) utilizando Durepoxi, que pode ser encontrado em lojas de materiais de construção.
    • Antes de endurecer completamente, fiz um furo no centro com o palitinho do incenso. Usei movimentos circulares suaves para garantir que o furo tivesse o tamanho ideal — nem muito grande, nem muito apertado.
  4. Acabamento

    • Depois que tudo estava seco e pintado, apliquei um verniz translúcido amarelo para dar brilho e proteção. Você pode escolher outro verniz, desde que seja translúcido, para preservar a beleza das cores.

Esse trabalho une criatividade, reaproveitamento e dedicação. Espero que inspire você a criar também! 🌟


 Depois de Prontas, ficaram encantadoras!


quarta-feira, 22 de maio de 2024

A Arte e a Consciência Ambiental


        Obras de Frans Krajcberg:

As últimas transformações dos séculos XX e XXI assinalam o protagonismo do sistema capitalista mundial nas agressões ao meio ambiente. Transformações essas que não debilitaram a essência do modo de produção humana, porém, nota-se que os efeitos são observados na organização da sociedade contemporânea, nos métodos de produção, na política financeira dos governos, nas relações de trabalho, e principalmente nas relações da sociedade com a sustentabilidade, haja vista que a arte é fundamentada na liberdade humana.

O pintor e escultor de origem polonesa Frans Krajcberg lutou de forma permanente, demonstrando ter a consciência que o homem deve manter entre si uma relação bastante intensa com esse mundo. Assim, o artista busca estar permanentemente sujeito a novas leituras, e que o processo de integração de uma poética se dá lentamente, dependendo de códigos preestabelecidos. Suas obras artísticas reúnem desenhos, pinturas, esculturas, que apresenta um artista, livre e independente dos critérios de prestígio que, na ordem do simbólico, que regem o meio artístico e cultural.

A história de vida e o processo de criação artística de Frans Krajcberg possuía uma ligação estreita com a área da educação por ter sido um artista que atuou em prol da preservação da natureza. O jornalista Antonio Gonçalves Filho dedicou uma matéria em torno de seu falecimento em 15 de novembro de 2017, no Rio de Janeiro, aos 96 anos [1].

O artista usava em suas obras ‘troncos e raízes’ de árvores calcinadas, lutando desde 1948 contra a destruição de florestas ao chegar no Brasil. As primeiras esculturas em madeira de Frans Krajcberg foram feitas em 1964, pois visitava frequentemente Pantanal e a Amazônia para registrar o desmatamento e recolher troncos e raízes para suas esculturas, associando o resgate desses restos de natureza à proposta dos ‘novos realistas’, dando um novo sentido aos materiais descartados pela sociedade.

 Imagem 01: Obra Grito da Natureza:


[1] FILHO, Antonio Gonçalves. O silêncio de Frans Krajcberg. Diário do Nordeste. Agência Estado, publicado em 17 de Novembro de 2017, in site

[1] CHIAPETTA, Marina Santos. Frans Krajcberg: conheça as obras e o ativismo ambiental do artista.  Site  eCycle. Sem data de publicação, in site.

Contextualizando a obra com o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, pode-se afirmar que os homens utilizavam sons para pedir socorro no perigo ou ao aliviar-se de dores violentas, e de forma semelhante à obra o grito, de Frans Krajcberg, produziu essa linguagem primitiva, na medida em que denunciou a violência do homem contra a natureza e expunha a dor das florestas devastadas.

 Imagem 02: Obra Socorro da Amazônia:

Fonte: Adaptado segundo a autora Marina Santos Chiapetta [1].

Nesta obra o artista retrata os troncos e raízes calcinadas que derrubaram densas áreas verdes pelos incêndios para transformá-las em pasto, os quais Frans Krajcberg recolhia o que o fogo deixou, transformando os materiais para que se gritassem socorro em nome da Amazônia. O artista procurou exprimir, com esse material quebrado, o assassinado, do que ontem foi uma bela árvore, e hoje é um pau queimado.



[1] CHIAPETTA, in site.


     Obras de Jaime Prades:

O artista Jaime Prades nasceu na Espanha, mas vive e trabalha em São Paulo desde 1975, e é detentor de uma trajetória única dentro do panorama da arte contemporânea brasileira com obras bastante impactantes. Com sua experimentação como atitude criativa, sempre procurou diversificar seus meios de expressão além da pintura. Desde a década de 80 seus projetos ultrapassavam as fronteiras da modernidade e suas inquietações apontavam novos horizontes, sendo sua obra fruto de uma necessidade vital, acima de questões teóricas e das tendências do mercado.

Seu trabalho construiu uma obra que dialoga com as questões sociais, ambientais, espirituais e plásticas, por meio da pesquisa dos processos específicos da materialização da linguagem e a renovação dos suportes tradicionais. A arte de rua no Brasil surgiu nos anos 70, se mantendo na marginalidade, contudo, as legislações municipais combatem a arte do grafite, considerando a chamada ‘street-art’ de natureza transgressora e de essência desafiadora à ordem estabelecida. Mas Jaime sempre transitava entre o ateliê e a rua.

O jornalista José Roberto Aguilar teceu alguns comentários críticos sobre seu trabalho:

Jaime Prades não se considera grafiteiro nem artista de rua; sua ação como artista é muito mais abrangente. Contudo, a força de seus grandes murais, pintados sobre concreto em espaços de grande visibilidade urbana, revelou Jaime Prades para o grande público. ‘As Máquinas’, imenso mural que ocupou durante anos uma das paredes do túnel da Avenida Paulista, causaram tamanho impacto que prevaleceram sobre outros trabalhos; consequentemente, Jaime Prades ficou reconhecido como artista de rua, vinculado ao mundo do grafite [1].

Imagem 03: Obra Série Máquinas - A gráfica urbana:



[1] AGUILAR, José Roberto. Jaime Prades.  Trapézio Galeria: Radiantes de 1996 em São Paulo. Sem data de publicação, in site.

Fonte: Adaptado segundo o blog do artista Jaime Prades [1].

 

A série ‘Máquinas’ foi grafitada diretamente nos muros dos túneis de São Paulo, em 1987, mostrando o interesse urbano na industrialização com efeitos poluentes ao ambiente.

Imagem 04: Obra À deriva 01:

Fonte: Adaptado segundo o blog do artista Jaime Prades [1].

Nesta obra o artista retratou o consumo excessivo dos plásticos, que são dispensados na natureza, os quais demoram muitos anos para sua decomposição, e que acabam sendo engolidos por animais marinhos, por serem confundidos com seus alimentos naturais, tentando realizar, nessa obra a conscientização do reuso dos bens naturais, bem como o descarte correto desses materiais.



[1] PRADES, Jaime. Séries desde 1987. Máquinas. Blog de Jaime Prades. Gravitations Atomiques. Sem data de publicação, in site.


      Obras de Eduardo Srur:

O artista plástico Eduardo Srur é um ativista brasileiro, nascido em São Paulo, onde vive e trabalha, sendo detentor de alguns trabalhos de pintura já registrados, mas foi na área da intervenção urbana que seu nome se fortaleceu no mercado, por meio de iniciativas questionadoras. Estudou na Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), nos anos 90, onde teve aulas com o artista Nelson Leirner e o fotógrafo Eduardo Brandão.

No início dos anos 2000 começa a pesquisa e o uso do espaço público para desenvolver instalações com novos materiais e diferentes linguagens visuais, abrindo caminho para a produção experimental das intervenções urbanas.

Imagem 05: Obra Caiaques do rio Pinheiros:


Fonte: Adaptado segundo o site do artista Eduardo Srur [1].



[1] SRUR, Eduardo. Site oficial de Eduardo Srur. Sem data de publicação, in site.

Fortaleceu sua vertente empreendedora em São Paulo e realizando diversas intervenções urbanas de grande escala na paisagem da cidade, apropriando-se de pontes e viadutos, rios poluídos e represas, parques públicos e terrenos baldios, como a obra acima, onde instala dezenas de caiaques tripulados por manequins de plástico nas poluídas águas do rio Pinheiros em 2006.

Imagem 06: Obra Caçambas


Fonte: Adaptado segundo o site do artista Eduardo Srur [1].

A obra ‘Caçambas’ é uma intervenção urbana do artista, a qual provoca uma reflexão sobre o excesso de lixo produzido na cidade, resultado do modelo irresponsável de produção e consumo de alimentos, onde o Brasil perde 60% dos alimentos desde sua origem até a mesa do consumidor.



[1] SRUR, in site.


       Obras de Kathy Klein:

Kathy Klein é nascida em 1965, Los Angeles, CA, e seu conceito de trabalho é de criar as mandalas em lugares onde outras pessoas irão encontrá-las depois, como um presente. A artista posiciona meticulosamente pétalas, flores, frutas e pinhas, criando essas coloridas mandalas, enquanto senta, relaxa e entoa um mantra.  

No site da Redação Hypeness, a artista revela que trabalha dentro de um processo espiritual para criar as mandalas, utilizando um espaço de meditação devocional, orientando-se por meio de músicas e sua paz interior. “frequentemente interrompo as obras para interagir com um espírito transcendente” [1], diz a artista ao site.

Utiliza as cores vibrantes e a colocação meticulosa de cada folha e de cada pétala, e depois de criadas e fotografa as obras e as deixa exatamente no mesmo lugar, para que alguém possa ter a sorte de apreciá-las.


           Imagem 07: Obra Mandala:




[1] HYPENESS, Branded Channel. Artista usa apenas flores e plantas para criar mandalas incríveis. Sem data de publicação, in site.

Fonte: Adaptado segundo o site da Redação Hypeness [1].

Mandala é uma palavra sânscrita que significa círculo ou ‘aquilo que circunda um centro’. É uma representação geométrica da dinâmica relação entre o homem e o Cosmos, promove a harmonia e a unidade entre o todo e as partes. É uma forma de arte original e essencialmente espiritual [2].


       Obras de James Brunt:

De acordo com o site AtoEscrito.com, o artista James Brunt se formou na Escola de Arte Byam Shaw, em Londres, e depois passou a trabalhar em galerias e no Arts Development. Atualmente, mora em Yorkshire e dirige a Responsible Fishing, UK, junto com o fotógrafo Timm Cleasby [3].

Sua organização artística opta por materiais naturais e reciclados na criação de obras temporárias, procurando envolver adultos e crianças no processo de criação, com projetos educacionais que exploram o lúdico e a importância do jogo, conscientizam sobre questões ambientais, promovem a interação entre os participantes e motivam as crianças a criar e alcançar em larga escala [4].

Seu trabalho se dá com a utilização de pedras, folhas e galhos encontrados em parques, praias e florestas, elaborando obras de arte de efêmera duração em espaços externos e fotografa suas criações para conhecimento e apreciação das pessoas. O artista afirma estar consciente do ambiente ao seu redor e lida com critérios na utilização dos recursos naturais: não tira pedras do seu habitat; nas florestas, as obras são feitas em caminhos já existentes; não faz trabalho em água corrente; e não há sobrepeso com as cargas de instalações [5].



[1] HYPENESS; s/d, in site.

[3] ATO, AtoEscrito.com. A obra de James Brunt: recursos da natureza e criatividade. Publicado em 04/05/2018, in site.

[4] ATO; 2018, in site.

Imagem 08: Obra Mandala Círculos Concêntricos:

Fonte: Adaptado segundo o site da AtoEscrito.com [1].

James Brunt cria elaboradas obras de arte usando matéria prima natural que ele encontra em florestas, parques e praias perto de sua casa em. Esta forma de arte terrestre envolve padrões detalhados, texturas e formas criadas usando múltiplos de um tipo de material qualquer diferente entre si. O artista James recolhe galhos, rochas e folhas e organiza-os em espirais de mandala e círculos concêntricos, então fotografa seu trabalho acabado para documentá-lo antes que a natureza mais uma vez se aposse de seu cabedal [2].


[1] ATO; 2018, in site.


      Obras de Vick Muniz:

Vicente José de Oliveira Muniz, apelidado de Vik Muniz, é um artista contemporâneo, nascido em São Paulo no ano de 1961. Este artista ficou conhecido por usar materiais inusitados em seus trabalhos, realizando experiências que questionam as formas tradicionais de construção imagética, colocando a fotografia como matriz, suporte intermediário e resultado final da obra, e, ainda, manifestando novas estéticas com vínculos culturais e sociais, dando o entendimento do artista sobre a função social da arte.

O artista plástico brasileiro é fotógrafo, desenhista, pintor e gravador, graduado em publicidade e propaganda. Passou a viver e trabalhar em Nova York no ano de 1983 e em 1988 passa a realizar uma série de trabalhos nas quais investiga temas relativos à memória, à percepção e à representação de imagens do mundo das artes e dos meios de comunicação.

Sua criatividade em uso de diversas técnicas foi inusitada, materiais estes que vão desde o açúcar, chocolate líquido, doce de leite, catchup, gel para cabelo, lixo e poeira, empregando-os em suas obras artísticas.

Imagem 09: Série After Wahrol: Monalisa em creme de amendoim e geleia:

Fonte: Adaptado segundo o site Foto Grafia da autora Suelen Figueiredo [1].

 

Segundo o autor Lago (2009, p.15):

Ao longo de duas décadas Vik Muniz criou quase 1200 obras, organizadas sobre tudo em 57 séries, a maior parte delas fotografadas a partir de matrizes realizadas com os mais diversos materiais. O artista faz uso de técnicas diversas e emprega nas obras, materiais inusitados como, açúcar, chocolate líquido, doce de leite, catchup, gel de cabelo, lixo e poeira [2].

Envolvendo-se cada vez mais com a arte de um modo bastante incomum, o artista passou a chamar a atenção pelo fato de usar açúcar, chocolate, doce de leite, catchup, e até o próprio lixo, com temas relativos à memória, percepção e reprodução de imagens. Sua primeira mostra se deu em 1989, onde expôs algumas esculturas denominadas Relíquias (Objets Trouvés), e a Máquina de Café Pré-colombiana.

Assim, seu reconhecimento pela a originalidade de suas obras lhe garantiu críticas e o estabeleceu como um dos criadores mais incensados da arte contemporânea, presente no acervo dos principais museus do mundo, haja vista sua criativa forma de ressignificar materiais, usando o que seria descartado como uma possibilidade artística.



[1] FIGUEIREDO, Suelen. Vik Muniz. 2011, in site

[2] LAGO, P. C. do. Vik Muniz: obra completa, 1987-2009. Rio de Janeiro: Capivara, 2009.


Imagem 10: Série Crianças de Açúcar: Valentina (1996):

Fonte: Adaptado segundo o site Esporos [1].


Imagem 11: Da série Lixo:

[1] ESPOROS. Esporádico apenas. Vik Muniz. 2009, in site.  

E não poderia faltar o meu esperimento com a minha tecnica favorita, a Land Art. Essa e a primeira de muitas:


'Por onde passes
deixe teu melhor'


Gratidão e tudo que a arte me ensinou, e a tudo que Deus me proporciona!



*Foto, Arte e Pesquisa:
D.S.Alves/2019
Autora do Blog, Artista Visual, Gráfica, Amante da Natureza.